14 de jul. de 2007

Vamos matar alguém ao estilo Lullaby Perambulava sempre sem destino pelas ruas do centro de São Paulo, sempre passando pelos mesmos lugares, os mesmos onde se sentia seguro. Volta e meia estendia um pouco suas voltas por lugares mais ermos do que os habituais, passava pela Ladeira da Memória, biblioteca Mario de Andrade; e as vezes até atravessava a Praça da República para passar em frente aos inferninhos da rua Aurora. As vezes ia acompanhado, mas na maioria delas estava só. Certa vez passava pela rua Major Sertório quando lhe pediram um cigarro, sacou o maço de Lucky Strike do bolso e estendeu sua mão num gesto generoso; o travesti até tentou puxar conversa, mas nunca conversava com ninguém durante suas caminhadas solitárias. De vez em quando ficava sentado quase invisível na escadaria do banco em frente ao edifício Copan observando o vai e vem de carros e pessoas na entrada da movimentada casa noturna que só abria lá pelas 04h da manhã. Observava atentamente os adeptos do estilo de vida “basta escolher, basta pagar”; e balançava negativamente a cabeça num gesto hipócrita como se nunca tivesse feito aquilo. Durante muito tempo estas voltas satisfaziam sua vontade de sair de casa, mas aos poucos as mesmas foram perdendo o sentido, bem como os pensamentos que povoavam sua mente durante as mesmas. Com as dificuldades financeiras que enfrentava, queria de alguma forma ajudar as pessoas necessitadas com quem cruzava nas noites, que por muitas vezes durante o ano eram frias. Sem dinheiro mas cheio de boas intenções como só o inferno é, resolveu aniquilar o sofrimento das pessoas do modo que achava mais justo. Estudou durante semanas um jeito de sua ajuda não ser descoberta, até encontrar o modus operandi perfeito. Conseguiu uns calmantes com as vizinhas de sua mãe, alegando stress no trabalho, e todas as noites os dissolvia em uma garrafa térmica cheia de chá. Colocava sua mochila nas costas para transportar a garrafa térmica e os copos descartáveis e saía para sua caminhada. Estava passando pela rua XV de Novembro quando encontrou o primeiro mendigo ao qual ofereceria a ajuda. Conversou um pouco com o homem que aparentava cerca de cinqüenta anos e serviu o chá ainda quente. Enquanto o mendigo se ajeitava sobre os papelões e se cobria, o rapaz cantava uma velha canção de ninar que escutava ao som da voz de sua mãe quando era criança; e quando finalmente percebeu que o homem havia adormecido mudou a canção e a entonação doce da voz para Sweet Dreams na tosca versão de Marilyn Manson enquanto quebrava o pescoço do homem. Já faz alguns anos que pratica este ritual sádico que tem a coragem de chamar de ajuda aos necessitados, e os jornais insistem em dizer que os moradores de rua têem morrido pelas baixas temperaturas do inverno paulistano. Mais um trago Desejo de fazer tudo ao mesmo tempo Vontade de fazer nada Sentir-se aprisionado Solidão exarcebada. O mundo as vezes nos aprisiona em nossa solidão deixando-nos presos a nossos espelhos, fugimos a cada noite, a cada dia, mas quando voltamos a solidão nos alucina. Saudade só existe em português e faz o tempo parar. Amigos, bebidas, cigarro (hummm, mais um trago)... balada, gente, dança e movimento. Melhor ir para casa e dormir escutando um Cocteau Twins. Encarar-se é difícil.
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
16/03/2005

23 de mai. de 2007

O mundo perfeito! Qual seu mundo perfeito? Muito se vê nos filmes de ficção científica, mas pouco sabe-se realmente de como seria um mundo perfeito. Vê-se nesses filmes que as pessoas possuem um padrão de vida razoável, parecendo até um comunismo meio liberal; ou seja, todos possuem mais ou menos as mesmas coisas, mas tem liberdade para ter o que quiser. Aparentemente o governo tem controle total de tudo, e todas as pessoas são mais ou menos como nós brasileiros... Acomodados. E de repente, no filme, sempre aparece uma ou mais pessoas que questionam esse perfeccionismo do mundo, do controle exercido pelo governante soberano. Aí que eu pergunto, se tudo é tão perfeito, porque tem gente que questiona? Quer coisa mais normal que isso? Pode realmente ser um mundo perfeito. Pode sim, mas não para todos. O meu mundo perfeito é diferente do seu, e o seu diferente dos outros que te cercam; alguns podem até ser muito parecidos, mas jamais serão perfeitos o suficiente para você porque não foi você que o criou. E quando você o criar, ele não será o mundo perfeito de outras tantas pessoas que idealizaram um mundo perfeito ao modo delas. Então qual é a definição de mundo perfeito? Um mundo sem guerra, sem violência, sem miséria, sem fome, sem discriminação, sem corrupção...? Poderia até ser, mas isso só seria possível no dia em que o homem voltasse à estaca zero e mudasse todos os seus valores, e mesmo assim ainda não seria perfeito para todos. Deus errou uma vez. Errou a partir do momento que deu aos seus filhos tudo aquilo que ele julgava bom eles terem. E nós, como bons filhos que recebem tudo de graça não soubemos valorizar. Se somos todos irmãos não há nada de errado em brigarmos, em discutirmos e principalmente em acreditar e pensar diferente uns dos outros. Bem vindos à grande família! Quer um mundo perfeito para você? Crie-o, acredite no seu mundo perfeito; mas lembre-se que o seu mundo não inclui outras pessoas no bom, e no mau sentido. Pondere-se ao seu mundo de forma que não precise prejudicar niguém para tê-lo. Você consegue? Qual seu mundo perfeito? Depreciação Eu vejo a degradação humana Ela está nos olhos de cada um que vejo passar As lágrimas trancadas os entregam Olhares adultos com jeito inocente... Perdidos Olhos sem vida, não enxergam mais o belo A beleza está no material Mudaram-se os valores Viva o descartável Até a inocência das crianças se perdeu Virou pó ao vento que acelera o tempo Aquele que insiste em voar cada dia mais Deixando para trás quem insiste em fantasiar Mundos cor de rosa, azuis, pretos... Cada um com sua máscara de vaidades Escondendo suas vidas, descartáveis, vazios Posses, lucro... Consumismo ilimitado Valor é o quanto custa O sorriso descartável vale mais Mais vale ser comprado e dominado pela matéria Quanto tempo seu celular te acrescenta de vida? Compensações inúteis descompensam... Você já não vale o que é, vale o que tem Mais do que nunca virou obsoleto O que você sabe não interessa se não tiver nada O que você tem para oferecer? Seu conhecimento? Sua experiência? O que eu ganharei com isso? Nem sua alma de nada vale, não é último modelo.
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
01/2007

29 de abr. de 2007

Se não fosse assim... Seria diferente! Ahhhh... As paixões!!! Estava pensando sobre elas essa semana, e o engraçado é que desta vez não foi um pensamento vago e sem sentido. Descobri esta semana que eu estou apaixonado! Até aí nenhuma novidade para quem me conhece bem, afinal sempre me apaixono, algo como a cada semana ou a cada mês uma nova paixão; quer dizer, seria normal se isso não acontecesse nesta atual fase em que decidi abdicar dos desejos e dos planejamentos futuros. Deixar os sonhos para atrás? Não, de forma alguma, afinal o que é a vida sem os sonhos; ainda mais para um sonhador como eu! Mas o que é uma paixão? Uma paixão é algo que te faz bem, te deixa feliz e sorridente, é aquela coisa boa que alguns definem como "borboletas no estômago"! Qual seria a sua paixão, há uma regra sobre paixões que diga que ela deve ocorrer por alguém ou alguma coisa? Acredito eu que não. Eu descobri que finalmente estou apaixonado por mim, pela minha vida. Apesar dos pesares ela é apaixonante e tem me mostrado que mesmo com 30 anos e sem conseguir fazer "nada" para desfrutar de momentos capitalistas de prazer, ela é muito prazerosa. Eu descobri que como toda paixão tem horas que nos sentimos inseguros em mantê-la, e que há horas que podemos perder o controle querendo desistir de levá-la adiante. Mas o que seria de uma paixão sem os momentos turbulentos? A maioria das pessoas difere paixão de amor pelo simples fato de uma ser intensa e o outro ser incondicional e linear. Porém os dois unidos podem te deixar em um êxtase inigualável, é uma daquelas sensações inexplicáveis em que você se sente tão bem que não percebe que é feliz a qualquer momento, e não só quando consegue algo que desejava. Viva o animal mais irracional do mundo! O ser humano! Esta raça burra não percebe isso nunca, e faz com que a vida seja alimentada por momentos de felicidade sentidos a cada nova conquista. Você já viu alguém dizer que é feliz? Escuta-se muito pouco isso por aí; mas dizerem que se conseguissem isso ou aquilo os faria mais feliz é a coisa mais comum de se escutar. Nossa felicidade está condicionada a nós mesmos, a aceitarmos o que temos e da forma que temos. Isso seria comodismo, ou fuga da sua incapacidade de conseguir as coisas? Claro que não! Te garanto que você sofrerá muito menos se não ficar pensando em como seria bom morar em uma cobertura em um bairro nobre de qualquer lugar do mundo. Planeje sua vida sim, mas procure primeiro construir uma base sólida para se apoiar caso seus planos não dêem certo porque a decepção é mais avassaladora que a paixão; tão mais que é capaz de destruí-la. Quer se dar bem na vida? Apaixone-se antes de tudo por você! Se eu sou rico e bem sucedido? Não, para mim isso não é sinal de estar bem de vida. Para mim quem tem dinheiro tem a facilidade de realizar os desejos que o dinheiro pode pagar; mas não que seja uma pessoa bem de vida. Você acha que eu não gostaria de poder ir a qualquer lugar almoçar hoje, ou de ter ido buscar minha filha neste fim de semana para levá-la à algum lugar que ela fosse se divertir? Eu amaria poder fazer isso, e só com dinheiro poderia fazê-lo, mas minha realidade hoje é outra. É a realidade de quem aprendeu a aceitar que muitos zeros depois do ponto em seu extrato bancário não te fará ter a pessoa que você ama ao seu lado, não te fará descobrir que se um dia você não os tiver mais, seus amigos de verdade prevalecerão ao seu lado. A vida não é injusta, é só você que não se apaixonou pela coisa certa. E se não fosse assim, a única certeza que tenho é que... ...Seria diferente.

29 de mar. de 2007

Pago o dobro! Definitivamente o desejo é o maior inimigo da humanidade. Cada vez mais fico estarrecido com o que as pessoas podem fazer para conseguir ter luxo, conforto e poder. Sendo assim resolvi me movimentar e gritar... ...Pago o dobro! Pago o dobro do valor que ia ser roubado pelos assaltantes da agência Moema de um dos maiores bancos brasileiros, que na tentativa de arrecadar dinheiro para comprar armas, drogas, carros, casas, putas; e o que mais o dinheiro pudesse comprar deixaram uma garota paraplégica num ponto de ônibus, e de quebra colaboraram para que outro cidadão que trabalha e paga impostos tivesse sua perna amputada. Justifica? O que você quer que ainda não conseguiu? Aquela Mercedes que o figurão passeia com sua família sem se quer trocar uma palavra com os passageiros, ou quando fala alguma coisa é para discutir investimentos e qual seria o presente melhor para agradar um dos componentes da rica e infeliz família? Infeliz... Isso mesmo, infeliz família que não tem valores como companhia, confidência, afeto e alegria ao sentar-se na mesa compartilhando os bifes de contra filé contados, e comprados com o pouco dinheiro que deu para comprar uma carne no mês. Qual a sua escolha, reclamar porque hoje a cozinheira não fez seu prato predileto, ou rir do dia terrível que você teve porque seu chefe estava puto porque a cozinheira não fez seu prato predileto? Agora pago o dobro do valor de um Corsa sedan (ou Classic) para os ladrões de galinha cariocas que arrastaram uma criança de seis anos por quilómetros, criarem um filho até os seis anos e depois de todo carinho e dinheiro gasto para dar uma boa educação; amarrarem seu filho em um carro e o arrastarem também. É isso que vale uma vida? Tá bom, não sabemos o valor dela até que percamos alguém que amamos. Mas e estas pessoas que atiram para qualquer lugar por não estarem satisfeitas com sua atual situação? Que direito têm de fazer isso? O que as diferencia de outros cidadãos comuns que trabalham para conseguir aos poucos ter uma vida um pouco menos ordinária? O que lhes dá o direito de tirar vidas para ter conforto? "- Mas ninguém teria morrido se não houvesse reação." Claro que não, mas mais uma vez ficaríamos estáticos assistindo a barbáries que fazem crianças como minha filha de oito anos dizerem: "...Papai, não sai na rua aí em São Paulo porque os ladrões estão malvados." É esse o mundo que queremos viver? Imparciais a acontecimentos e continuando a reclamar sem fazer nada para mudar? Pago o dobro para quem quiser fazer algo para mudar!

28 de jan. de 2007

Até Quando?

Aquele senhor nascido em 1947 mais uma vez estava certo,devíamos ter a experiência e sabedoria de 40 aos 20 anos; aí quem sabe aproveitaríamos melhor nosso tempo. Hoje fiquei encucado com isso e estava me questionando... “Como seria se a vida fosse ao contrário?” Imaginem como seria ter a mesma ordem cronológica e ao invés de adquirirmos com o tempo, fôssemos perdendo. Nasceríamos sabendo de tudo que saberemos quando morrermos na ordem atual; teríamos o dinheiro que conseguiríamos acumular ao longo de toda nossa vida; e com o tempo iríamos usufruindo tudo isso para chegarmos aos 50, 60 ou 70 anos como uma criança de 3 ou 4 anos... Totalmente puros e ingênuos. Acho que saberíamos aproveitar melhor nosso tempo, nossas oportunidades, amores... Quem sabe o mundo não teria tanta maldade e desigualdade? Afinal a maldade é algo iminente do ser humana, a bondade ele aprende ou não com o tempo. Se todos já nascêssemos com um nível parecido de intelecto, dinheiro e bondade; acho que teríamos um mundo quase perfeito sem uns quererem aproveitar tanto dos outros; teríamos menos desigualdade; enfim, acho que pensaríamos mais em fazer nossa parte e veríamos o mundo com outros olhos, apreciando as coisas ao nosso redor sem medo de sermos assaltados, sem destruir tanta coisa. Sei lá, encanei nisso.

Desejos

Quando criança eu queria ser adulto Ser como meu pai sempre fora aos meus olhos Um grande homem, um homem grande... Fruto de toda a pureza que só as crianças têm

Adolescente queria ser um pouco mais velho Sonhava com a liberdade fantasiosa da maioridade Ainda tinha a desculpa da pouca idade para os erros Jamais pensava nas conseqüências futuras

Aos vinte e um passei de filho a pai Fruto de não pensar na conseqüência dos atos E mais ainda quis ser como meu pai Um grande homem, um homem já não tão grande...

Comecei a desejar o conhecimento E o adquiri em todos os pontos de minha vida Vejo que sei pouco mais do que quando era criança Vejo que meu pai era um homem grande por eu ser uma criança pequena

Hoje penso no que ainda posso fazer Em quanto tempo me resta... Quantos desejos quero realizar? Quantos realmente conseguirei?

No dia em que morrer quero uma festa! Uma reunião com todos que me cercaram Todos aqueles que não encheram minhas festas de aniversário Quero realizar meu desejo de criança... Uma festa cheia só para mim

Quero que se despeçam de mim Quero que ouçam minhas músicas Riam das trapalhadas que fiz E digam que vivi, de forma correta ou não... Vivi!

Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar 18/10/2006

3 de jan. de 2007

De novo Ano novo... E assim começa o novo ano... Engraçado que este antes do outro terminar eu escutei falar muito que esta história de ano novo era besteira; e se pensar bem é. Mas tem seus pontos positivos. Quer um exemplo? Imagine se o tempo fosse corrido e não recebesse os devidos nomes dos meses, e ainda não houvesse um tempo estipulado de duração. Como iríamos marcar um compromisso para o mês posterior, seria algo do tipo: "Daqui trinta e cinco dias farei uma festa e quero que você esteja lá." Ou então no caso de um financiamento de sessenta meses: "Você tem sessenta parcelas para pagar, é uma a cada trinta dias pelos próximos 1825 dias." E pior, digamos que os dias não tivessem sido enumerados de trinta em trinta para formar um mês: "Estamos no dia 732.193 d.C." E o mais interessante e que mostra que o ser humano, apesar de dotado de inteligência ainda é burro, é o fato de que apesar de ser a mesma coisa no ano seguinte ele ainda acredita que os próximos doze meses, ou 365 dias as coisas serão diferentes. Que elas serão diferentes é incontestável, mas ninguém garante que serão melhores ou piores. Quem criou estes termos e convenções deve ter pensado na esperança humana, deve ter sido algum filósofo sofista que prometia que a cada mudança de ciclo, ou cada doze luas cheias as coisas mudavam. Ainda assim não concorda em dizer que o ano novo é novo? Então faça o seguinte, imagine que estes doze meses ou 365 dias são algo que você gosta muito de fazer. Por exemplo: Se gosta de ler, imagine que é um livro; se gosta de escrever, imagine um caderno; se gosta de carros, um tanque de combustível... Se é um livro imagine que quando acabou o ano, o livro acabou e tudo o que você pode absorver dele você aproveita. Se é um caderno, você escreveu tanto que acabaram-se as folhas com tudo que você passou naquele período e relatou naquelas folhas. Se é um carro, acabou o combustível e você o está reabastecendo para a próxima viagem. Enfim, se não está de acordo com o tempo que alguém determinou crie o seu próprio da forma que melhor lhe agradar; mas nunca se esqueça de se fortalecer ao término de cada período para iniciar um novo revigorado. Desejos Quando criança eu queria ser adulto Ser como meu pai sempre pôra aos meus olhos Um grande homem, um homem grande... Fruto de toda pureza que só as crianças têm Adolescente queria ser um pouco mais velho Sonhava com a liberdade fantasiosa da maioridade Ainda tinha a desculpa da pouca idade para os erros Jamais pensava nas consequências futuras Aos vinte e um passei de filho a pai Fruto de não pensar na consequência dos atos E mais ainda quis ser como meu pai Um grande homem, um homem já não tão grande Comecei a desejar conhecimento E o adquiri em todos os pontos de minha vida Vejo hoje que sei pouco mais do que quando criança Vejo que meu pai era um homem grande por eu ser uma criança pequena Hoje penso no que ainda posso fazer Em quanto tempo me resta Quantos desejos quero realizar Quantos realmente conseguirei No dia em que morrer quero uma festa Uma reunião com todos que me cercaram Todos aqueles que não encheram minhas festas de aniversário Quero realizar meu desejo de criança... Uma festa cheia só para mim Quero que se despeçam de mim Quero que ouçam minhas músicas Riam das trapalhadas que fiz E digam que vivi, de forma correta ou não... Vivi.
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
18/10/2006

5 de nov. de 2006

Virando a gina... Daqui três horas e meia pego o ônibus para São Paulo. Parece que finalmente deixo Floripa com a sensação de fechar o ciclo que foi aberto em 1999. É verdade, minha história com Floripa começou antes de todos os acontecimentos de 2004 e finalmente parece findar-se. Na minha mente a Ilha da Fantasia foi engolida pelo mar que a rodeia, salvo claro uma dúzia de pessoas que ainda manterei contato por terem se mostrado grandes e verdadeiros amigos. Quem os é sabe. Até o clime propiciou essa sensação, está cinza como gosto em São Paulo, e mesmo indo comer um peixe delicioso a beira da Lagoa da Conceição; eu não consigo mudar a sensação que estou sentindo de dever cumprido. Viremos a página na BR, onde deixaremos junto com a Ilha todas as mágoas e traremos somente os aprendizados colhidos ao longo destes sete anos. Vivamos o presente que trará o futuro deixando o passado para a memória somente. Aquela memória que vale a pena remexer somente quando for interessante compartilhar as experiências tentando proteger quem nos cerca e por ventura queira se aventurar da mesma forma. Floripa já não tem mais graça, é como um livro que você gosta muito e um dia descobre outro que te interessa mais ainda. Gostei muito de Floripa, agora ela só faz parte da minha prateleira. A Ilha E assim se faz escura a ilha Aquela que todos dizem ser ensolarada Por mais que brilhe o astro rei Aqui mais do que em qualquer lugar ele não significa nada para mim. E agora o ciclo realmente se fechou Cicatrizou as feridas que vez por outra insistiam em arder A ilha é assim, te absorve e aprisiona quem se aventura Enfeitiça os despreparados levando-os quase à loucura. Vini, vidi vici... ...Não enquanto aqui estive Página virada, livro guardado... ...Guardado na prateleira dos arquivos mortos de minha mente Deixemos que alí perpetuem os desgostos encontrados Bem próximo ao mar para a próxima cheia os levar.
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
05/11/2006

21 de mar. de 2006

Procura-se sonhadores Eles estão em extinção, dificilmente vê-se um passando pelas ruas. Eles deram lugar aos racionais e objetivos deixando o mundo mais opaco e lógico do que nunca. É verdade, antigamente viam-se vários passeando por aí, imaginando como o mundo seria se fosse diferente, se fosse possível voar, ou até fazer o mundo viver em paz através da conversa, da amizade e do simples fato de esquecer que o dinheiro comanda tudo. Quem tem dinheiro tem armas, tem exércitos, tem bombas, tem tudo! E nós, os sonhadores? Nós temos os sonhos! Nós temos as asas, as risadas, os momentos únicos onde paramos e conseguimos observar e sentir tudo ao nosso redor transformando aquilo tudo em uma cena de filme, ou uma fotografia de paisagem que passa paz... ...Ou até mesmo transformarmos aquele simples momento em uma história de amor, ou quem sabe um suspense. Procuro Sonhadores!

16 de set. de 2005

Procuramos independência... O mundo anda meio complicado, parece que cada dia mais nos isolamos e deixamos de interagir com as pessoas.São milhares de recursos que dispomos para nos comunicarmos de forma impessoal e sem precisar sair de casa: Internet, messengers, Skype, webcam... ... E o contato social morre a cada dia. Acho que quando Gran Bell inventou o telefone não imaginou que isso pudesse acontecer, acredito que sua invenção teve a intenção de facilitar o contato entre as pessoas e não que essa facilidade de contato fizesse com que as mesmas se afastassem. Claro, estaria mentindo se disesse aqui que não facilitou; mas da mesma forma que facilitou o contato, afastou as pessoas. O que se vê hoje é o distanciamento pela facilidade de comunicação. É sexo virtual, sexo por telefone; deu fome, liga e pede comida... Tudo na ponta dos dedos. É meio deprimente isso; e mais deprimente ainda se formos mais longe para analisar que hoje muitos romances começam via internet, ou até por aqueles serviços de disque amizade. Tem um lado positivo nisso, muitas vezes as pessoas acabam se interessando umas pelas outras por causa do intelecto ao invés de prestar atenção inicialmente ao físico. De onde eu tirei isso tudo? Simples... ... Estava indo trabalhar hoje quando vi dois velhinhos descerem do ônibus em frente ao cemitério de Santo Amaro; na hora pensei: "O mundo anda tão independente que daqui a pouco os velhinhos virão sozinhos, de ônibus para o seu enterro..." Mais tarde fui mais longe: "As crianças estão cada dia mais independentes, cada dia ficam independentes mais cedo; daqui a pouco o bebê vai se cansar de ficar na barriga da mãe e nascer de parto normal voluntário. Não por vontade da mãe, mas sim porque aquele lugar era muito chato". Devo realmente estar envelhecendo, essas coisas as vezes me assustam. Lucidez Outra vez a incerteza Onde iremos chegar dessa forma? Esse mar pode vir a nos afogar Estas ondas que nos atingem Hora a maré sobe... hora desce Quando desce leva-nos junto Nós e nossas lágrimas Fiquemos aqui, deixemos as lágrimas... De que vale a vida sem os sonhos? De que vale um amor incerto? Vale a dor que me proporciona... A incerteza de estar contigo? Temos que alimentar a vida Alimentá-la com nossos sonhos O que seria dos amores sem os sonhos? Talvez não doesse tanto Distância que me faz enlouquecer Tomemos o céu como ponto de referência Assim a distância parece menor Enganamos assim nossa dor Esta inconsistência que preocupa Toma-me pelo desinteresse Desinteresse causado pela incerteza contínua De que vale a vida sem os sonhos? Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar 06/04/2004

31 de jul. de 2005

Um Pouco de Vida E assim vi que respiro com facilidade, dando vazão a todo o ar que se apresenta a mim. Logo pela manhã já vejo o sol, ou um céu cinzento na minha janela; ambos sempre pedem para serem contemplados. E assim o faço com um sorriso quase que de orelha a orelha por finalmente entender que a beleza está nos olhos de quem a vê. Como sempre digo ainda não sei nada, mas hoje posso dizer que sei o suficiente para me ver sorrindo diante das coisas que me são oferecidas; sejam elas boas ou ruins. Cada uma tem seu valor. Depois de tantos tropeços, quedas, arranhões, fraturas, cicatrizes, pontos falsos e cortes suturados; hoje cada um deles serve como um manual para sobreviver diante do novo olhando sempre a frente, acima e abaixo; tudo isso sem me preocupar com o que vem pela frente, simplesmente curtindo cada momento e eternizando-os em fotos e filmes mentais. Filmes e fotos que eu produzo através de um roteiro desconhecido e com uma receita simples. Viver! Nunca tinha arriscado isso. Hoje sorrio um riso de criança, aquele riso do presente tão esperado debaixo da árvore de Natal; e se choro, bem... ...Choro as lágrimas de quem estava soterrado sobre escombros do seu passado e foi salvo ainda com vida. Hoje Vivo! 31/07/2005 Misericórdia Sonho num momento Acordado numa eternidade de devaneios A vida e seus momentos Momentos que constroem a vida Instantes que eternizam na memória Velocidade intensa, perturbadora! Tudo passa despercebido Pare! Pare agora! Droga que vicia a mente Impossibilidade de se concentrar Olhe! crianças modificadas Não há mais infância Tome, leve sua dor! Não a quero para mim Sinta-a você mesmo Experimente seu veneno Nos tornamos assassinos de sonhos A morte é o sonho O sonho que a vida não alcança Quando chegada não há mais sonhos Nossa realidade imaginária Um sonho interminável Fuga dos sonhos reais, da vida real... Sonho realizar, voar e entender... Há o que entender Há a realidade que sonhamos Não a queremos agora Sempre recusaremos o paraíso por medo. Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar 03/04/2004

8 de jul. de 2005

Impotência Acho que essa é a pior sensação que existe, a vontade de tentar ajudar e ao mesmo tempo saber que não se pode fazer nada. Claro que temos que pensar em nós em primeiro lugar, mas quando vemos alguém que amamos sofrrer, a primeira coisa que pensamos é uma forma de ajudar. Ao longe, pelo telefone se escuta um choro. Como ajudar? Você está preso no seu trabalho, não pode sair dali naquele momento, e mesmo que pudesse... não tem como chegar até aquela pessoa. Já passou por isso? É, vira e mexe eu passo por isso; só que tem situações que por mais que você faça, jamais irá ajudar totalmente, o máximo que você fará será minimizar o sofrimento. Acho que essa é a pior sensação de impotência que existe, você de alguma forma querer ajudar e não adiantar nada.Muitas vezes quero ajudar sem saber como, outras quero ajudar sem ter como. Nessas horas, tudo que eu quero é poder estar próximo a pessoa para ao menos colocá-la em meu cólo, deitar sua cabeça em meu ombro e ficar ali parado, só fazendo um cafuné enquanto a pessoa alivia sua dor num choro que parece interminável. É o mínimo que podemos fazer a quem amamos; escutar nem que seja só o choro, o soluçar... aquele pranto de dor ou de saudade, as vezes pode ser também de arrependimento, ou quem sabe somente uma forte melancolia... um saudosismo. Hoje eu saí de casa chorando sem saber a causa, nem tentei descobrí-la, afinal d que adiantaria, dependendo o que fosse eu estaria impotente; as vezes estamos impotentes para resolver nossos próprios problemas. E sabe qual é o nosso maior problema? Nós mesmos. Dor da noite É sempre assim quando acaba Voltar só para casa Não poder ouvir sua voz Saber que a cama estará vazia É sempre assim quando acaba Sair sem você ainda não tem graça Ligar a TV para o tempo passar Pensar o que faria com você ao meu lado É sempre assim quando acaba A noite vazia e perdida A risada sem graça predomina Onde está você agora? É sempre assim quando acaba Mais uma cerveja ou um cigarro Alguns amigos num papo furado A música alta ensurdecida por sua imagem É sempre assim quando acaba O caminho de volta isolado O choro engolido com a mágoa Na face, a aventura de uma lágrima... É sempre assim quando acaba Dias ensolarados viram cinzentos Noite estrelada acobertada por nuvens Nós dois longe por nossos erros Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar 04/04/2004

10 de jun. de 2005

Dia dos Namorados Imaginário Ele era só um amigo imaginário, mas de tanto conviver com pessoas de verdade acabou se encantando pelos sentimentos delas. Como era imaginário, todo ano imaginava-se namorando no dia dos namorados. Após dez anos nessa situação via-se sem imaginação para este ano imaginar-se com alguém. E na verdade apareceu alguém real, mas era tão bom que parecia irreal. Ele caminhava feliz com uma música feliz em sua cabeça e com borboletas no estômago. Todo o dia chegava em casa e ficava ansioso por falar com aquela que despertara finalmente um sentimento real, que o fazia sentir-se bem de verdade. Tudo que ele queria era estar com ela, mas como imaginou... ... Era imaginário. Eles se encontraram, comeram, beberam e se divertiram; conversaram e mais uma vez sua imaginação pregara-lhe uma peça. Era muito bom para ser verdade. Pelo menos naquele momento aquilo não poderia acontecer; poderia se fosse antes, ou quem sabe depois. Era tudo muito vago para ser real. As únicas coisas que pareciam realmente reais eram realmente aqueles momentos que estiveram juntos, nem que fosse imaginação, mas as sensações eram reais demais para ser só imaginação. Mas por mais que fosse real se tornou imaginação, ele finalmente passaria seu dia dos namorados real, mais imaginário do que nunca. E ele gostou da idéia, afinal se não fosse para ter sensações reais, seria melhor imaginar-se comemorando este dia só do que acompanhado de mais imaginação.Mas ele ainda quer que essa pessoa que parece ser tão real, deixe de ser só imaginação para que possa viver a realidade com ela. Sem poema desta vez.

24 de mai. de 2005

Tem horas que tudo o que precisamos é um copo de Coca-Cola. Ele não havia dormido nada após a fatídica noite anterior, mas mesmo assim saiu cedo com aquela que sempre fôra seu amor platônico. Rumaram para a marginal Pinheiros sentido rodovia dos Bandeirantes, e após aproximadamente uma hora estavam no parque de diversões. Eles sempre se deram muito bem como amigos, em outras ocasiões chegaram a trocar alguns beijos, todos eles muito carinhosos; mas foram raros e nunca passou disso. Ela via nele o seu anjo da guarda, mas ele sempre a enxergou como a mulher ideal; mais velha, cheia de atitude, divertida e com um gênio fortíssimo. Ela sempre povoou suas fantasias, e neste dia fez com que ele se sentisse criança novamente. Era um simples passeio no parque, mas para ele era algo maior, era passar um dia inteiro ao lado de sua mulher ideal. Brincaram nas mais diferentes atrações, foram na montanha- russa no escuro, riram como crianças, se molharam com as crianças e comeram como adultos. Mas tudo acaba. Por volta de 19h dirigiram-se ao estacionamento que já estava bem vazio. No caminho até o carro ela comentou sobre um livro de Stephen King. Ao chegarem no carro ambos foram até o porta-malas para que ela trocasse de calçado, só que naquele exato momento veio-lhe na cabeça a idéia de escrever um conto que começou a contar para ela. Mas fez mais que contar, começou a transformá-lo em realidade jogando-a dentro do porta-malas e começando a beijá-la e despí-la. Nunca havia agido assim antes. Enquanto a possuía relatava seu conto e a estrangulava. Após terminar deixou-a no porta-malas, fechou o mesmo e rumou para a estrada de volta. Durante todo o percurso tentou encontrar um motivo que o tivesse levado a fazer o que fez. Mas não encontrou nenhum. Adentrou em áreas desabitadas e achou um riacho que seria perfeito para se desfazer do corpo e enfim voltar para casa. Seguiu pelo caminho de volta, chegou em casa e tomou um copo de Coca-Cola. hoje Mais uma vez, o mesmo... O gosto amargo da decepção A dor no peito interminável Palavras impensadas por um gesto seu Eu vou viver isso hoje Amanhã eu acordarei sem ti Indiferente! Sempre foi assim Não irá doer nem um pouco Foi bom, realmente bom! Intenso, insano, incomum... Magia rápida... se foi Foi como uma chuva de verão Duas vidas novamente Dois objetivos diferentes Caminhe por sua estrada A minha construirei só Os excessos mais uma vez A inflexibilidade outra vez O desrespeito por me ter Mas sei que vou vivendo... Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar 30/03/2004

15 de mai. de 2005

Amor Insano, Insano Amar... Foi só vê-la em sua frente que seu coração bateu mais forte, faltou-lhe ar e ele ficou ali, estático. Mas que sensação era essa? Amor, paixão, medo...? Fazia tempo que não se encontravam, mais ou menos uns seis anos desde o primeiro e último beijo. Ahhh... aquele beijo indescritível, nunca havia experimentado um daqueles. Foi... foi... envolvente, instigante, excitante e diferente de todos que já tinha experimentado, jamais se esqueceu daquele momento em frente aquela casa escura da rua Sergipe, bem ao lado do cemitério da Consolação. Desta vez não houve o beijo, isso o enlouqueceu, tirou sua razão de tal forma que começou a segui-la por onde quer que ela fosse... perdeu suas faculdades mentais chegando ao ponto de sequestrá-la. Claro que como um iniciante foi preso, mas em seu julgamento, seu advogado conseguiu ao menos alegar insanidade mental. E os dias se passavam no Charcot e ele não parava de pensar nela, naquele beijo e no mau que tinha feito para ela; era tudo que ele menos queria... machucá-la. Sua melhor companhia era seu caderno e sua caneta, pelo menos com eles conversava, e parecia que eles o entendiam. Vivia bolando uma forma de sair dali. E assim foi manipulando a mente de cada um que via não ser tão maluco quanto fora dignosticado. Numa tarde de sexta colocou em prática seu plano de fuga, foi visitar o diretor do manicômio e mostrou seus poemas e contos; de repente a sala foi invadida por outros internos que renderam o diretor e armados de seringas com ar saíram pela porta da frente. Alguns foram recapturados, mas ele não; ele mudou de identidade e hoje escreve em blogs pela internet. Escreve histórias misturando realidade e ficção, espalha a loucura pelo mundo com mensagens subliminares em poemas de amor. Mas mesmo assim ainda não encontrou aquele beijo. 04/04/2005 Prefácio Vou começar minha história Esquecer o que conheci até agora Traçar objetivos concretos Arriscar meu conforto e comodidade Trocar a facilidade pelo desafio Viver uma nova realidade Viver um novo tempo Criar uma realidade a partir de mim Deixar de lado velhas convenções Antigos hábitos e incertezas Abandonar medos e receios Inseguranças e temores Viajar para outros mundos Explorar outros planos Mergulhar em você Criar nossa realidade Venha comigo, venha nos realizar! Subir um degrau por vez Transpor as barreiras que encontrarmos Começar uma história no final. Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar 29/03/2004

4 de mai. de 2005

Hey ticanito!!! Não confie em homens de Wall Street!!! Quando lá chegou pensou que seria a grande chance de mudar de vida. Tá certo que o bairro onde morava não era o que tinha sonhado sua vida toda para ter sua família, criar seus filhos e ter momentos felizes com sua futura esposa; mas ele acreditava que aquilo era só o começo. Arranjou emprego de manobrista num muquifo da cidade e otimista, acreditava que aquele era o início da vida que sonhou. O muquifo era muito bem frequentado e foi conhecendo pessoas influentes, gente de dinheiro... gran finos! Começou a ser convidado para grandes festas particulares em enormes mansões nos bairros chiques da cidade. Numa dessas festas conheceu um rapaz aparentando trinta e poucos anos muito bem vestido. Ficou impressionado com apostura, o corte do terno, o jeito de falar e principalmente o sucesso que ele descrevia ter atingido facilmente através de transações ilegais com dinheiro. Nada de tráfico, roubo ou dinheiro sujo, apenas captação de altas quantias para aplicação em paraísos fiscais. Voltou para casa empolgado contando ininterruptamente as novidades para sua noiva. Era chegada a hora de mudar de vida!! Conversou com conhecidos seus que tinham o dinheiro para lhe emprestar com a condição que o devolvesse mesmo sem juros, mas lhes prestando alguns favores. Nem tudo seria tão fácil como ele havia imaginado.Teve que ameaçar, sofreu ameaças e perdeu seu amor. Mas......mudou de bairro, estava bem de vida por causa de um simples adiantamento que seu amigo engravatado havia lhe feito. Morava agora num belo apartamento com vista para o mar... sozinho. Sentiu falta de sua amada. Mas era chegada a hora de receber a grande bolada e virar de vez a mesa, assim teria tudo o que sempre sonhou. Não precisava mais ameaçar e nem sofria mais ameaças; teria dinheiro e iria atrás de sua amada. Só faltou um detalhe. Encontrar seu amigo engravatado, o qual nunca niguém havia escutado o nome. 01/03/2005 Cego Não quero enxergar mais De que adianta a visão? Ver é frio e insensível Sentido nulo sem os demais Posso te ouvir… Mas não posso te ver! Posso te ver… Mas não sei te sentir! É fácil ver… É fácil tocar… É fácil ouvir… Sentir é difícil Queria ser cego! Só assim abandonaria meu vício Meu vício de tudo querer ver Acho que só assim poderia te sentir Suas palavras se perdem em minha cabeça Não as sinto por não te ver Quero aprender a sentir sem te tocar Quero aprender a entender sem enxergar Coisas boas não me acontecem com freqüência Temo te perder por não te ver Temo te perder por não te sentir Quero te sentir sem te tocar. Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar 19/03/2004

28 de abr. de 2005

Sem destino. Saiu cedo de casa sem rumo certo. Pegou as chaves, trancou a porta e seguiu até o carro.Entrou nele, sentou no banco do motorista e num gesto desolado apoiou os braços sobre o volante e a cabeça sobre eles. Ficou ali aproximadamente trinta segundos,depois ergueu a cabeça e deu o contato. Ligou o rádioe colocou um de seus Cds prediletos. Não que gostasse de sofrer, mas ele inteiro lembrava sua amada. Saiu finalmente sem direção certa, não sabia se seguia a esquerda, a direita... ou reto. Pegou a Marginal Pinheiros... Iris, se desmanchou em lágrimas elembranças, sentiu-se confuso por não saber que direção tomar também em sua vida. Pegou uma estrada qualquer sem ler o que a placa indicava. Bandeirantes, pistas largas, bom asfalto 120, 130, 140, 150... 180Km/h. Como tudo em sua vida ele resolveu acelerar o carro sem medo do que pudesse acontecer, só prestando atenção nos outros carros, na sinalização; não queria saber dos limites, só lhe interessava ir para algum lugar. Mesmo sem saber ao certo para onde. Passou um, dois, três pedágios... alguns policiais tentaram censurá-lo sem sucesso. Curva perigosa! Ele percebeu que perdeu o controle de sua vida. 24/02/2005 Crescer Um dia me disseram que nós crescemos Abandonamos a inocência e a pureza A fantasia trocamos pela realidade E a brincadeira pela responsabilidade Um dia me disseram que temos que ser grandes Conquistar e ostentar bens Só assim seremos grandes Só assim seremos importantes para o mundo Um dia me disseram que é feio mentir Mas quem disse isso também mente Omitiu coisas que me fariam crescer Mentiu até para me proteger Um dia me disseram que aprenderia a amar Mas descobri que amar não se aprende Que o amor que aprende com você Que amar se aprende por viver Omitiram-me que amar pode doer Que a saudade pode sufocar Que a distância faz sofrer Que podemos chorar por não nos ver Quem inventou a saudade? Não me disseram que ela existia Me disseram que você partiria E não disseram que mesmo assim contigo eu estaria. Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar 12/03/2004

19 de abr. de 2005

Solidão A necessidade de platéia é algo que muitas vezes pode levar o ser humano a ter atitudes extremas. E ela sabia disso.Tanto que vez ou outra ela parava na esquina da Líbero Badaró com o Viaduto do Chá e ficava olhando para o alto do edifício que tem ali. Não demorava muito e já haviauma multidão ao seu redor para ver o que estava acontecendo. E ela gritava: "- Não, não pule!" E acenava com a mão num gesto negativo. Quando lhe perguntavam: "- Nossa, mas cadê a pessoa com quem você está falando?" Ela respondia: "- Ali, num tá vendo? No 35º andar" Ela na verdade nem sabia quantos andares tem o prédio, mas sempre tinha alguém que acreditava e depois engrossava o coro: "- Não, não pule!" Quando já havia um número suficiente de pessoas ela saía dizendo: "-Gente louca, fica tentando se suicidar. Eu desisto de tentar ajudar." Passado algum tempo as pessoas não mais acreditavam nela, e a brincadeira foi perdendo a graça para sua autora,até o dia que ninguém mais parou porque o funcionário da banca alertou que não passava de uma maluquice daquela mulher. A diversão dela havia acabado, não tinha mais público que acreditasse nela; e não era só ali, em todo o Centro de São Paulo as pessoas a conheciam.Virou uma celebridade. Certo dia tentou brincar com as pessoas em lugares diferentes do Centro e ninguém lhe deu atenção, até que na última tentativa de chamar seu público ela resolveu transpassar o pára-peito do Viaduto do Chá para que as pessoas parassem e tentassem impedi-la. Ninguém parou. Conto escrito em 22/02/2005 A partir de agora postarei aqui no Only alguns contos que estava escrevendo no Blog da Taty Marx, onde tbm escrevo regularmente. Como estou num intervalo criativo resolvi postar estes contos porque tenho gostado muito deles e aqui todos podem comentar. Espero que gostem. Choro Aqui, venha para a chuva... Sinta o calor de cada gota Deixe-a levar sua tristeza Sinta as gotas abraçarem tua pele Perceba o significado disto Aproveite as lágrimas dos anjos Purifique-se com esta dádiva Usufrua deste elixir Aqui, venha para a chuva... Deixe-se molhar pelas águas celestiais Tente sentir o abraço divino Purifique-se, deixe-a levar suas aflições... Receba a pureza destas lágrimas Sinta-a escorrer por sua face Escorrer por todo seu corpo Quedas d’água por seus contornos Aqui, venha para a chuva... Venha se molhar, não tema! Alivie sua’lma sem medo Deixe as águas a acalmarem Que chova a noite toda Molhemo-nos para disfarçar nossas lágrimas Vamos rir por não ter o que fazer Deixe-se molhar, deixe-me te ter. Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar 11/03/2004

14 de abr. de 2005

Morte de mais uma série Morreu, mais uma vez mato uma série pelo mesmo motivo das outras... baixa audiência. Tirando que muitas pessoas (pretensão, só as que leram) também criticaram muito os temas que utilizei para escrever a série. Sei, foi meio pesado e assustador se tratando de mim. Digo isso porque quem me conhece sabe que sou extremamente careta e contra as drogas. A verdade é que escrevi a série pensando no filme "Requiém para um sonho"; filme este que me deixou muito impressionado e inspirado a falar sobre os vícios que tanto me incomodam. A verdade é que depois do filme vi que todos somos viciados em coisas diferentes, sejam elas lícitas ou ilícitas. Bom... morreu. Dias chuvosos Chove em minha mente Gotas de pensamentos absurdos Dilúvio de idéias férteis Incessante fertilização de planos Que chova o concreto ou o imaginário Que fique em pensamento Que vire realidade Mas não pare de chover Que inunde meu cérebro Que afogue meu raciocínio Que leve a lógica com a correnteza Mas não pare de chover Molhe todos os cantos de minha cabeça Temporal avassalador que preocupa Preocupa por suas conseqüências Deixará rastros? Alaga-me a todo o momento E quando não houver mais como escoar Quando chover pensamentos de emoções Quando a chuva esquentar o sentimento Pensarei em como drenar este tormento E sem solução meu corpo responde por mim Meus olhos quase se fecham como aviso Com lágrimas alivio meu pensamento. Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar 19/02/2004